quarta-feira, 13 de abril de 2016

O tempo escasseia

Quando pensei no título do post de hoje era na perspetiva do tempo escassear para mim, ou seja, praticamente não tenho tempo para tratar de mim ou para fazer coisas que me dão prazer. Já para escrever os posts parece que o tempo é cronometrado ao segundo. Mas, após ponderar melhor o tempo escasseia pode também ser interpretado como o tempo que falta para a minha futebolista nascer, pois ela está muito apressada.
Portanto, creio que vou falar um pouco de ambas as perspetivas, porque se for pensar bem os dias são sempre contados ao pormenor, por vezes era ideal terem umas horas extra.

Na verdade, a vida se a virmos de uma forma generalista torna-se bastante monótona e repetitiva, porque todos os dias levanto-me cedinho, despacho a princesa para a poder levar para a escola, deixo-a na escola e vou a voar para o trabalho. No trabalho, onde envido os esforços a explicar a nossa amiga matemática a jovens e adolescentes, almoço a correr e quando posso é nessa altura que vou ao ginásio, à tarde volto a dedicar-me aos números e vou de fugida, a correr, buscar a princesa à escola, e depois trago-a novamente comigo para o trabalho, onde labuto até às oito da noite.
De seguida vou até casa e enquanto a princesa e a barriguda tomam banho faço um jantar rápido.
Devoramos a comida, cansados e já quase sem energia, depois deito a princesa e finalmente consigo ter uns minutos de sosssego defronte da televisão onde posso apreciar uma qualquer série que não dê muito que pensar, pois o cérebro já não o permite, e acabo por adormecer todo torto no sofá enquanto partilho miminhos com a minha barriguda.

Visto assim, até parece bastante enfadonho e ter dias que se iniciam às sete da manhã com deveres e responsabilidades que apenas terminam perto das dez e meia onze da noite são dias exaustivos, sensaborões. Mas, na minha opinião todos eles são dias lindos e fascinantes, verdadeiramente magníficos, apesar de efetivamente não ter tempo para fazer tudo o que me dá prazer e que gostaria de fazer, a beleza de todos estes dias está nas "entrelinhas" ou seja, basta apreciar os pequenos momentos e as pequenas coisas que nos rodeiam, se estivermos abertos a isso decerto que iremos ver para além da rotina usual.

Por exemplo, ainda ontem a minha filha, enquanto a levava à escola, contou-me inúmeras aventuras e desventuras, nomeadamente que já tinha namorado, o cenourinha, como no dia anterior lhe tinha contado uma história intitulada "O que é o amor?" e nessa história descreviam que na ótica da avó o amor era dividir uma fatia de bolo, comecei a inquirir a minha princesa se já tinha partilhado as bolachas do reforço da manhã com o cenourinha, a atitude dela foi "priceless" pois ficou muito envergonhada (ela que nunca se envergonha) e disse-me claro que não pai, não posso, parece mal e gaguejava, e finalmente diz-me: "papá envergonhas-me...".
Esta foi apenas uma das pérolas que me fascinam nos dias que aparentemente passam por mim, mas que na verdade na passam apenas. Eu aprecio e vivo cada um deles espremendo todo "sumo" mais interessante que lá está reservado, apenas a aguardar que o aproveitem.

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